Thales Coutinho, presente!

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Este é um texto autoral. Significa dizer que é mais um artigo do que uma matéria jornalística. E como artigo, posso expor posicionamento próprio sobre tema de interesse público, à minha maneira, como ensinam os manuais de redação. Por isso, pode ser chamado também de depoimento. Thales Coutinho Gonçalves da Silva era um colega de profissão que, ao contrário de mim, a exerceu por poucos anos. Estava fadado a seguir os passos de seu pai Eduardo Cardoso da Silva na política local. Thales era o típico cara de trato fácil, algo reservado, trabalhador, leal aos seus amigos e colaboradores, e disposto a sempre aprender.

          Flamenguista como a minha família, conheci antes seus pais, ainda criança. Eduardo, médico como o meu pai Ricardo Moacyr, e Bernadete, professora como a minha mãe Ana Maria. Dr. Eduardo, como o chamávamos, costumava ir em casa para assistir aos jogos do Flamengo, pois papai tinha uma antena altíssima com “booster”  que pegava o sinal transmitido diretamente do Rio, e não apenas os canais locais.

          Reunia um bom time de flamenguistas. Além de Eduardo, o cardiologista Amildes Ribeiro e o advogado Geraldo Miranda eram alguns dos mais presentes. Macaé resumia-se, então, ao Centro e seus bairros adjacentes. Cavaleiros era a praia do fim de semana. Pecado, a praia dos jovens e dos motoqueiros. Diversão da noite eram os inesquecíveis bares e boates da Imbetiba, como Panorama, Redondo e Choupana das Rosas. Imperdíveis eram também o paredão e o trailer de Demerval. E para se ir até a serra era preciso disposição, pois, passado o Trevo da BR, a RJ-168 era toda de barro.

          Tudo isso num tempo em que não havia internet e sequer celular. Anos de 1980, quando começaram a instalar as primeiras boias de marcação na praia da Imbetiba e os rumores da descoberta de petróleo na pacata Macaé deixaram de ser conversa de esquina para se tornar realidade.

          Thales Coutinho da Silva nasceu em 1983. Era um rapaz, ainda. E, apesar de muito novo, marcou a sua passagem pela Secretaria de Esportes e pela Secretaria de Cultura com projetos que atenderam a milhares de cidadãos. Conheci-o na Cultura, onde se dedicou a estender e a aprimorar os programas de Artes, Balé, Teatro, Música, Orquestra Popular, Literatura, Bibliotecas e todas as vertentes da cultura municipal.

          Na área da Literatura, minha praia, realizou melhorias consideráveis nas bibliotecas municipais, especialmente na Biblioteca Télio Barreto, onde, em parceria com um grupo de voluntários da Petrobras, renovou todo o Espaço Infantil Celina Mussi de Oliveira, identificou a fachada e implementou projetos como o “LiTELAtura”, com a exibição de filmes baseados em obras de autores nacionais e internacionais.

          Através de Alexandre Azevedo, diretor da Aliança Francesa de Macaé, levei até Thales a possibilidade de realizarmos em conjunto o importante Festival Varilux de Cinema Francês. Ele imediatamente abraçou a ideia, pois tinha acabado de adquirir para a Secretaria Municipal de Cultura o telão e o projetor para a execução do projeto de cinema volante. E, dessa forma, o Festival Varilux de Cinema de 2019 foi um sucesso, sendo realizado não somente no Teatro Municipal de Macaé, palco principal, como também ao ar livre, em palcos montados na Imbetiba, Aeroporto e Cavaleiros, por exemplo.

          O bom e velho mundo pré-pandemia. Pandemia que vitimou não apenas dr. Eduardo, Thales ainda tão novo e vários amigos, como também outras 527 mil vítimas, até hoje. O mais triste é que, como vereador atuante e combativo, Thales marcou o seu curto mandato lutando exatamente contra as informações falsas, a favor das recomendações científicas de prevenção ao coronavírus e pela aquisição de vacinas para toda a população.

          Como mãe e como alguém que perdeu a própria mãe de forma inesperada, penso sobretudo em sua mãe Bernadete. Dizem que Deus vai chamando para perto de si os bons. Não é consolo suficiente para partida tão prematura.

          Vai em paz, Thales. E que Deus possa confortar aos seus familiares e amigos, especialmente à sua filhinha Sofia.

* Jornalista e escritora, servidora concursada e ex-diretora do Museu da Cidade

Jornalista: Adriana Bacellar*

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